Gaby Teles

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" Eu queria que você fosse um estranho de quem eu pudesse me desligar"

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ciência do século 21 exige realidade virtual e inteligência artificial

Por: Fabio Reynol - Agência Fapesp - 14/05/2010
 Site Inovação Tecnológica














"É preciso admitir que a maior parte dos dados levantados hoje pela ciência jamais será vista por olhos humanos. É simplesmente impossível," diz o pesquisador. [Imagem: NASA/James Blair]


lboratórios virtuais

Um matemático resolve equações mergulhado em uma piscina virtual de números e gráficos, na qual ele pode andar e observar os resultados que são construídos à sua volta.
Um químico testa novas interações moleculares movendo manualmente átomos do tamanho de bolas de tênis, que ficam ao seu redor e reproduzem em três dimensões as substâncias formadas.
Esses exemplos futuristas são a solução imaginada por George Djorgovski, professor de astronomia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), dos Estados Unidos, para que pesquisadores consigam lidar com os dados cada vez mais complexos que a ciência vem produzindo em quantidade gigantesca.



Limite da capacidade human

Durante o Faculty Summit 2010 América Latina, evento promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research, que se encerra hoje (14/05), Djorgovski explicou que a quantidade e a complexidade dos dados científicos ultrapassou os limites da capacidade humana para entendê-los e até mesmo para observá-los.
"É preciso admitir que a maior parte dos dados levantados hoje pela ciência jamais serão vistos por olhos humanos. É simplesmente impossível," disse Djorgovski.
O pesquisador usou como exemplos trabalhos de sua própria área de atuação, a astronomia. Telescópios monitorados por sistemas automáticos registram diariamente enormes quantidades de dados que não poderiam ser totalmente analisados nem se toda a população da Terra fosse formada por astrônomos, de acordo com Djorgovski.



Revolução da informação

O mesmo acontece com outras áreas da ciência que trabalham com grandes quantidades de informações, como é o caso dos estudos sobre a biodiversidade e a climatologia. Além de enorme, esse banco de dados está dobrando de tamanho a cada ano e meio.
"A tecnologia da informação é uma enorme revolução que ainda está em andamento. Ela é muito maior que a Revolução Industrial e só é comparável à imprensa de Gutemberg. Essa revolução tem mudado até os paradigmas científicos vigentes", declarou o pesquisador.



Armas de instrução de massa

le explica que as ferramentas, os dados e até os métodos utilizados pela ciência migraram para o mundo virtual e agora só podem ser trabalhados nele.
"Com isso, a web tem potencial para transformar todos os níveis da educação. É uma verdadeira arma de instrução em massa", ressaltou fazendo um trocadilho com o termo militar.
"Ferramentas de pesquisa de última geração podem ser utilizadas por qualquer pessoa do mundo com acesso banda larga à internet", afirmou Djorgovski. Como exemplo, o pesquisador falou que países que não possuem telescópios de grande porte podem analisar e ainda fazer descobertas com imagens feitas pelos melhores e mais potentes equipamentos disponíveis no mundo.



Em busca de sentid

No entanto, trabalhar a educação também envolve o processamento de grande quantidade de informações. Essa montanha de dados a ser explorada levou o pesquisador a questionar a utilidade de uma informação que não pode ser analisada.
Nesse sentido, Djorgovski considera tão importante quanto a coleta de dados, os processos subsequentes que vão selecionar o que for considerado relevante e lhes dar sentido.
São os trabalhos de armazenamento, mineração e interpretação de dados, etapas que também estão ficando cada vez mais a cargo das máquinas.
Além da quantidade, também a complexidade das informações está ultrapassando a capacidade humana de entendimento. "Podemos imaginar um modelo de uma, duas ou três dimensões. Mas um universo formado por 100 dimensões é impossível. Você poderá entender matematicamente a sua formação, mas jamais conseguirá imaginá-lo", desafiou o astrônomo.



Realidade virtual a serviço da ciência

Mesmo assim, ele acredita que ainda há espaço para que raciocínio humano amplie sua capacidade, contanto que receba uma ajuda externa: a da realidade virtual. "A tecnologia desenvolvida para os jogos eletrônicos poderá ajudar o pesquisadores a ter maior compreensão de seu objeto de pesquisa, ao proporcionar uma visualização que o envolve completamente", afirmou ilustrando com os exemplos do matemático e do químico, citados acima.
Para Djorgovski, um dos grandes problemas da ciência atual consiste em lidar com uma complexidade crescente de informações. Como solução, o pesquisador aposta no desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial.
"As novas gerações de inteligência artificial estão evoluindo de maneira mais madura. Elas não emulam a inteligência humana, como faziam as primeiras versões. Com isso conseguem trabalhar dados mais complexos", disse.
A chave para essas soluções, segundo o astrônomo, é a ciência da computação. "Ela representa para o século 21 o que a matemática foi para as ciências dos séculos 17, 18 e 19", disse afirmando que a disciplina é ao mesmo tempo a "cola" e o "lubrificante" das ciências atuais.

domingo, 16 de maio de 2010

Nanotecnologia

Nova técnica usa luz para observar funcionamento do cérebro

Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/05/2010


Usando proteínas fluorescentes, cientistas conseguem enxergar a eletricidade fluindo ao longo dos neurônios,em um feito que deverá dar um impulso inédito no estudo da fisiologia cerebral e das atividadesneuraiassociadas com o comportamento.[Imagem: Lutcke et al./Frontiersin]

Por mais intensa que seja, não é possível enxergar diretamente a corrente elétrica que flui através de um fio metálico.
Mas agora já é possível enxergar a eletricidade fluindo ao longo das células nervosas do cérebro, em um feito que deverá dar um impulso inédito no estudo da fisiologia cerebral e das atividades neurais associadas com o comportamento.



Potenciais de ação

Um grupo de cientistas do Japão e da Suíça usou uma proteína fluorescente para acompanhar a atividade elétrica no interior dos neurônios de uma cobaia viva.
Os neurônios comunicam-se uns com os outros por meio dos chamados potenciais de ação. Durante um potencial de ação, uma diferença de potencial elétrico faz abrir canais de cálcio, causando um rápido influxo de íons de cálcio.
Esse acoplamento preciso entre o disparo do neurônio e o movimento dos íons permite que proteínas fluorescentes funcionem como indicadores dos potenciais de ação.

Proteínas camaleão

Essas proteínas especializadas têm duas subunidades fluorescentes, uma que irradia luz amarela e outra que irradia luz azul.
Quando as proteínas se ligam ao cálcio, a proporção entre a emissão de luz amarela e de luz azul varia, indica diferentes níveis de cálcio.
Essa variação de cores explica porque os cientistas chamam essas proteínas de "proteínas camaleão".
Usando uma nova variedade de proteína camaleão, chamada YC3.60, os cientistas conseguiram gravar a reação a estímulos sensoriais das células nervosas do cérebro intacto de camundongos.
Cada vez que os bigodes dos animais eram flexionados por uma corrente de ar, observava-se uma mudança nas cores da proteína camaleão nos neurônios das áreas sensoriais do córtex.

Vendo o cérebro funcionar

"A proteína camaleão YC3.60 nos permite medir os potenciais de ação não apenas de fatias de tecido cerebral in vitro, mas também em um cérebro intacto. A molécula reage rapidamente e com grande sensibilidade, e ainda detecta alterações nas concentrações de cálcio ocorrendo mesmo em sequências muito rápidas," diz o Dr. Mazahir Hasan, do Instituto Max Planck de Pesquisas Médicas.
A técnica permite o rastreamento da atividade elétrica tanto em neurônios individuais quanto em agrupamentos funcionais de células. "O que é mais vantajoso é que nós podemos medir simultaneamente a atividade de redes neurais ou de regiões inteiras do cérebro," afirma Hasan.
O próximo passo que os cientistas pretendem dar é introduzir proteínas camaleão seletivamente em camadas corticais específicas ou em diferentes tipos de células nervosas, o que permitirá compreender como as diferentes células nervosas presentes nos circuitos do cérebro geram comportamentos complexos.

Medindo sem eletrodos






































Esquema de funcionamento da nova técnica de observação do funcionamento do cérebro, que utiliza fibras ópticas para captar a luz das proteínas fluorescentes. [Imagem: Mazahir T. Hasan]As proteínas duplamente fluorescentes poderão revolucionar o estudo da atividade elétrica do cérebro, permitindo literalmente que se veja o cérebro funcionar em animais vivos - e, no futuro, eventualmente também em seres humanos.
Até hoje, a única forma que os cientistas têm para fazer isso é inserindo eletrodos nas células ou nos tecidos nervosos. Mas essa técnica, além de danificar os tecidos, não dá informações sobre os  diferentes tipos de células nervosas.
Já as alterações de cor das proteínas camaleão podem ser observadas de forma muito menos invasiva, usando fibras ópticas ou com a ajuda dos modernos microscópios de fluorescência - conhecidos como microscópios de rastreamento por laser de dois fótons.

Informação genética

Outra grande vantagem da nova técnica é que as proteínas camaleão podem ser formadas no interior das próprias células a serem observadas, bastando que uma seção correspondente de DNA seja inserida previamente no genoma.
Em dois experimentos realizados pelo grupo de cientistas, vírus foram utilizados como veículo para levar a informação genética das proteínas camaleão para as células nervosas.
Esta nova técnica, de observação do cérebro com luz, fornece uma ferramenta sem precedentes para estudar como as memórias se formam ou são perdidas.
Ou onde e como os padrões de atividades cerebrais são alterados durante o envelhecimento ou na ocorrência de doenças neurológicas, como Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A colaboração em massa mais uma vez em ação.

As redes virtuais mostraram sua potencialidade pelo bem social. Ultrapassando a capacidade de ONGs de intervenção humanitária, ajudando no caso Furacão Katrina. Bem o que me veio a mente quando li esse trecho do livro, foi de que redes virtuais também estão contribuindo na Educação, (o que não deixa de ser uma ajuda Humanitária) existem inúmeros sites onde as pessoas disponibilizam para Download. Livros, Apostilas, e até Cartilhas De alfabetização, de graça. Tempos atrás antes de essas redes virtuais existirem, eram caros os custos de certos livros, Hoje em dia é difícil um livro que não esteja disponível gratuitamente para Download. “O livro é o meio principal e insubstituível da difusão da cultura e transmissão do conhecimento, do fomento à pesquisa social e científica, da conservação do patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social e da melhoria da qualidade de vida;”
Eu particularmente fico Muito feliz e satisfeita em ver pessoas contribuindo para melhoria da educação e da cultura através de redes virtuais.


“A colaboração em massa mais uma vez em ação”.

sábado, 10 de abril de 2010

Pixel de músculo artificial abre caminho para tela Braille













Os pesquisadores desenvolveram um conceito chamado "mecanismo de travamento hidráulico", uma espécie de pixel Braille, feito com músculos artificiais, que formará a base de uma tela Braille atualizável.[Imagem: Neil Di Spigna]
magine se a tela do seu computador lhe permitisse ver apenas uma linha de cada vez, não importando o que você estivesse fazendo, ou tentando fazer - ler um e-mail linha por linha, ou ver um site uma linha de cada vez, por exemplo.
Pois esta é a dificuldade que os usuários cegos enfrentam hoje ao tentar utilizar um computador.
Uma dificuldade que felizmente poderá ser deixada para o passado graças ao trabalho da equipe do Dr. Neil Di Spigna, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
O objetivo dos pesquisadores é criar uma tela Braille totalmente atualizável, que permita que os deficientes visuais tirem proveito total da Web e de qualquer outro aplicativo de computador.

Tradutores Braille
Já existem sistemas capazes de converter textos em Braille ou páginas da internet em Braille. Mas os avanços ainda não chegaram às "telas Braille".
O termo tela atualizável pode fazer pouco sentido para os usuários normais de computador, uma vez que é difícil imaginar uma tela cujas imagens não mudem. Mas mudar os pontos salientes de um texto Braille não é tão simples quanto acender e apagar um pixel.
"Hoje, os displays eletrônicos em Braille geralmente só mostram uma linha de texto de cada vez. E eles são muito caros," diz o Dr. Di Spigna. O alfabeto Braille utiliza uma série de pontos salientes para representar as letras e os números, permitindo que pessoas cegas leiam por meio do tato.

Imagens em Braille
A fim de desenvolver uma forma mais funcional e acessível, Di Spigna e seus colegas estão desenvolvendo um leitor de página inteira em Braille, facilmente atualizável.
A nova tela Braille deverá ser capaz de traduzir também as imagens em relevos táteis, mapeando os pixels de cada imagem na forma dos pontos salientes já comumente usados no alfabeto Braille.
Para isso, os pesquisadores desenvolveram um conceito chamado de "mecanismo hidráulico de travamento", que está permitindo o desenvolvimento da tela Braille.

Pixel de músculo artificial
O protótipo deverá ser construído com um polímero eletroativo - um músculo artificial - que é resistente e muito mais barato do que os sistemas mecânicos das impressoras Braille atuais.
"Esse material vai nos permitir elevar os pontos na altura correta, para que eles possam ser lidos", diz Dr. Peichun Yang, coautor da pesquisa. "Uma vez que os pontos estão levantados, um mecanismo de trava irá suportar o peso a ser aplicado pelos dedos da pessoa conforme os pontos são lidos. O material também responde rapidamente, permitindo que o leitor percorra um documento ou site da Web rapidamente."
Agora que demonstraram que o componente de travamento do mecanismo é uma tecnologia viável, o próximo passo será construir o protótipo. "Esperamos ter um protótipo totalmente funcional do mecanismo dentro de um ano," diz Di Spigna, "e que poderá servir como o bloco básico funcional para a construção de uma tela Braille atualizável.
"A leitura Braille é essencial para permitir que as pessoas cegas encontrem um emprego," complementa Yang, que é cego. "Estamos otimistas de que essa tecnologia vai proporcionar aos cegos oportunidades adicionais."

Bibliografia:
The integration of novel EAP-based Braille cells for use in a refreshable tactile display
N. Di Spigna, P. Chakraborti, D.Winick, P. Yang, T. Ghosh, P. Franzon
Proceeding of th 12th International Conference on Electroactive Polymer Actuators And Devices
March 8, 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Computadores não devem jogar dados

Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/03/2010

O brasileiro Luis Ceze, cientista da computação atualmente lecionando na Universidade de Washington, explica porque os múltiplos processadores fazem com que os computadores atuais pareçam jogar dados. [Imagem: Cedida pelo autor]

Ao discordar da então nascente Mecânica Quântica, Einstein afirmou que aceitar suas bizarras leis seria o mesmo que afirmar que Deus estaria jogando dados no Universo.
O brasileiro Luis Ceze, cientista da computação atualmente lecionando na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, restringe um pouco mais suas preocupações: segundo ele, computadores não devem jogar dados. Computadores indecisos
Para Ceze, se você inserir o mesmo comando no computador, ele deve sempre dar a mesma resposta.
E isso talvez possa soar estranho para a maioria dos usuários de computador, e mais ainda para os verdadeiramente apaixonados por tecnologia - mas a verdade é que isto está longe de ser verdade.
Segundo Ceze, os computadores mais modernos costumam se comportar de forma largamente imprevisível.
"Com os sistemas mais antigos, com apenas um processador, os computadores se comportam exatamente da mesma forma contanto que você dê a eles os mesmos comandos. Mas os computadores atuais, de múltiplos processadores, são não-determinísticos. Mesmo se você der a eles o mesmo conjunto de comandos, você poderá obter um resultado diferente," afirma o pesquisador.
Bugs nos computadores multi-core
Nos velhos tempos, cada computador tinha um processador. Mas todos viram que isso não era tão bom quanto poderia ser. Ou, pelo menos, não tão rápido.
O resultado é que hoje as máquinas vendidas no comércio têm vários processadores - estar atualizado exige adquirir um computador dual-core, ou mesmo quad-core. E isso falando apenas dos computadores domésticos. Os supercomputadores têm milhares de processadores rodando paralelamente.
De certa forma as coisas melhoraram, porque os computadores de múltiplos processadores rodam os programas mais rapidamente, custam menos e gastam menos energia.
Por outro lado, vários processadores são responsáveis por erros difíceis de rastrear, que frequentemente fazem os navegadores e outros programas travarem de repente.
"Com os sistemas multi-core, a tendência é ter mais bugs, porque é mais difícil de escrever código para eles," afirma Ceze. "E lidar com estes bugs simultâneos é muito mais difícil."

Caos nos computadores
Para Ceze, o que acontece é o mesmo clássico problema do caos, frequentemente exemplificado pelo bater das asas de uma borboleta que inicia um processo que vai acabar em um furacão do outro lado do globo.
O compartilhamento de memória dos computadores modernos exige que as tarefas sejam continuamente transferidas de um lugar para outro. A velocidade na qual essas informações viajam pode ser afetada por pequenos detalhes, como a distância entre as peças do computador, ou mesmo a temperatura dos fios.
Com isto, a informação pode chegar ao destino em uma ordem diferente, o que causa erros inesperados e difíceis de prever, mesmo no caso de instruções que rodaram bem centenas de vezes antes.

Computadores que não jogam dados


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O protótipo do sistema, chamado Jinx, permite reproduzir os erros, facilitando o processo de debugar o programa rodando em computadores de múltiplos processadores. [Imagem: Divulgação]
 
Incomodado com essa incerteza, Ceze e seus colegas afirmam ter desenvolvido uma técnica para tirar os dados das mãos dos computadores, fazendo com que os sistemas multi-core mais modernos também se comportem de forma previsível.
A técnica consiste em subdividir os conjuntos de comandos dados ao processador e enviá-los sempre para locais específicos, eliminando a variabilidade existente hoje, que acaba por tirar os dados de ordem.
Os conjuntos de comandos são calculados simultaneamente, de forma que o programa bem-comportado continua rodando mais rápido do que aconteceria em um computador com um único processador.
Um programa baseado na nova técnica foi apresentado durante a International Conference on Architectural Support for Programming Languages and Operating Systems, que aconteceu em Pittsburgh, na semana passada.

A vantagem de repetir os erros
Um dos grandes méritos do programa que Ceze e seus colegas desenvolveram é que ele permite reproduzir os erros, facilitando o processo de debugar o programa - seguir o funcionamento do programa passo a passo de forma a localizar a fonte do erro.
"Nós desenvolvemos uma técnica básica que poderá ser usada em uma grande variedade de sistemas, de telefones celulares até data-centers", afirma Ceze. "Em última instância, eu quero tornar realmente fácil para as pessoas projetarem sistemas de alto desempenho, com baixo consumo de energia e seguros."
Os resultados do programa são tão promissores que Ceze e seus colegas fundaram uma empresa, a PetraVM, para comercializar sua criação.

Programa sequestra pixels para controlar aplicativos comerciais

Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/03/2010

A técnica consiste em "sequestrar" o controle do monitor, usando um software que se coloca entre programa cuja aparência se quer controlar e a própria tela. [Imagem: PreFab]

Todos os programas livres?

Que tal se todos os programas de computador fossem livres, de código aberto?
Qualquer programador poderia então ser capaz de adicionar funcionalidades personalizadas ao Microsoft Word, ao Adobe Photoshop, ao iTunes ou a qualquer outro programa.
Este é um sonho virtualmente impossível, apesar dos inúmeros projetos de código aberto que reproduzem grande parte das funcionalidades desses programas comerciais.
Sequestrando os pixels
Mas logo será possível mexer na aparência de todos esses programas comerciais, sem violar qualquer patente ou propriedade intelectual dos fabricantes de software.
A possibilidade foi criada pelo projeto PreFab, idealizado por um grupo de cientistas da computação da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
"A Microsoft e a Apple não estão caminhando rumo ao código livre. Mas elas criam programas que colocam pixels na tela. E se pudermos modificar os pixels, então nós podemos mudar o comportamento aparente do programa," explica o professor James Fogarty.
A técnica consiste em "sequestrar" o controle do monitor, usando um software que se coloca entre o programa cuja aparência se quer controlar e a própria tela.
Personalização de programas comerciais
"Nós realmente vemos isto como um primeiro passo rumo a um cenário onde qualquer pessoa poderá modificar qualquer aplicação," diz Fogarty. "Em certo sentido, isso já tem acontecido nos aplicativos online. Você chegou a essa cultura dos mash-up na web porque todo mundo pode ver o HTML. Mas isso ainda não se tornou possível nos aplicativos locais."
Hoje, uma única página da web pode incluir um mapa do Google, um vídeo do YouTube e uma lista das últimas manchetes do noticiário. É isto que o professor Fogarty quer viabilizar com os aplicativos comerciais.
"Digamos que eu esteja escrevendo um documento no Microsoft Word, mas quero ouvir música ao mesmo tempo," explica Morgan Dixon, coautor do projeto. Em vez de ficar alternando entre as janelas do Word e do iTunes, o PreFab permite a inclusão de alguns botões do iTunes diretamente na barra de ferramentas do Word.

Ferramentas de acessibilidade

O PreFab permite a inclusão de funcionalidades para deficientes, como o cursor bolha, que se expande para mostrar um botão que estiver nas imediações. [Imagem: PreFab]


A técnica pode ser utilizada também para inserir funcionalidades criadas por programas especializados, mas que ainda não estão disponíveis nos aplicativos comerciais.
Essa possibilidade é especialmente atraente para as ferramentas de acessibilidade. Muitas delas, segundo os pesquisadores, estão empoeirando nos laboratórios de pesquisas ao redor do mundo, sem chegarem aos usuários.
Uma dessas ferramentas, por exemplo, o cursor bolha, destaca o botão próximo a ele, tornando mais fácil para as pessoas com deficiência clicarem nele sem precisar colocar o ponteiro do mouse exatamente em cima do botão.
"A comunidade científica pesquisa a interação humano-computador há 30 anos, buscando formas de tornar os computadores mais acessíveis a pessoas com deficiência. Mas nenhuma técnica é perfeita para todos os deficientes," disse Fogarty. "É por isso que você não encontra essas ferramentas no mercado."
Em seus experimentos, Fogarty e Dixon mostraram a primeira implementação de um cursor bolha em vários aplicativos comerciais. E, segundo eles, o mesmo poderá ser feito para várias outras ferramentas de acessibilidade.

Controle da interface

A ferramenta tira proveito do fato de que quase todas as telas dos programas consistem de blocos pré-fabricados de código, tais como botões, barras, caixas de seleção e menus. O Prefab analisa cada um desses blocos até 20 vezes por segundo, alterando o seu comportamento.
O sistema pode, por exemplo, traduzir a interface de um programa para um idioma diferente, ou reordenar os menus para facilitar o acesso aos comandos mais usados. Efeitos mais avançados também são possíveis, como a criação de múltiplas visualizações de uma mesma imagem no Photoshop.

O século XXI irá representar 20.000 anos de progresso humano

Em um mundo onde as descobertas são quase sempre resultado de esforços conjuntos, de trabalhos realizados em laboratórios com vários profissionais, multidisciplinares e, muitas vezes, reunindo vários laboratórios ao redor do mundo, Raymond Kurzweil ainda parece trabalhar à moda antiga. Não que ele dispense os colaboradores, mas a forma com que apresenta seus trabalhos e idéias torna este americano nascido em 1.948 um dos expoentes do mundo científico atual. Ao contrário da maioria dos cientistas, que não vêem uma conexão possível entre a ciência e as profecias, Raymond Kurzweil não se intimida em emitir previsões para as décadas futuras. E para mostrar que acredita realmente no que diz, ele apostou US$20.000,00 que, em 2.029, uma máquina será capaz de passar pelo teste de Turing. O valor da aposta foi depositado junto à Long Bet Foundation, uma instituição dedicada a imaginar o futuro. O teste de Turing consiste em que uma máquina consiga simular um ser humano. Uma pessoa deve interagir com o computador por meio de um terminal, através unicamente de texto. O computador passa no teste se a pessoa não for capaz de distinguir se está conversando com uma pessoa ou com um computador. Não há restrições sobre os assuntos que a pessoa possa conversar com o computador. Qualquer coisa dentro da experiência humana é válido, seja arte, ciência, história pessoal ou relações sociais. A linguagem também é livre e metáforas podem ser usadas como em uma conversa normal. Os experimentos atuais de Inteligência Artificial ainda nem se aproximam de tamanha sofisticação. Mas Kurzweil não parou por aí. Falando em uma Conferência sobre sensores, ele disse que, em 2.030, nanosensores poderão ser injetados na corrente sanguínea de uma pessoa, implantando microchips que poderão amplificar ou mesmo suplantar diversas funções cerebrais. As pessoas poderão então compartilhar memórias e experiências íntimas emitindo suas sensações como ondas de rádio para os sensores de outra pessoa. Em sua palestra intitulada "The Rapidly Shrinking Sensor: Merging Bodies and Brain" (O Rápido Encolhimento dos Sensores: Juntando Corpo e Cérebro), Kurzweil disse que a realidade virtual poderá ampliar as sensações humanas, permite até que uma pessoa altere espontaneamente sua identidade e até aja como se tivesse outro sexo. Estas afirmações deliberadamente provocativas poderiam ser apenas curiosidades caso não estivessem sendo feitas por um cientista recentemente agraciado com o National Inventors Hall of Fame, o mais importante prêmio dado nos Estados Unidos para pesquisadores individuais. O prêmio é dado anualmente pelo consagrado MIT (Massachussets Institute of Technology). O prêmio foi dado em reconhecimento ao trabalho de Kurzweil na área de reconhecimento de caracteres e voz. Ele inventou o primeiro sistema de reconhecimento de caracteres que trabalha com qualquer tipo de fonte, o primeiro scanner de mesa baseado na tecnologia CCD e o primeiro sintetizador texto-voz. Mas a lista de suas realizações inventivas chega a incríveis 27 "primeiro a ... ". Em sua palestra, o inventor e criador de meia dúzia de empresas ressalta que a taxa de progresso tecnológico está se acelerando. "Mudanças de paradigma exigem muito menos tempo hoje. O que levava 50 anos para se desenvolver no passado não irá tomar 50 anos no futuro." disse o cientista. Segundo ele, cem anos de progresso poderão ser facilmente reduzidos para 25 anos ou menos. "A Lei de Moore é apenas um exemplo: todo o progresso do século XX pode duplicar-se nos próximos 14 anos.", disse Kurzweil. "De certa forma, o século XXI irá representar 20.000 anos de progresso. Com tal aceleração, torna-se possível visualizar uma interação com a tecnologia que era anteriormente reservada para escritores de ficção científica." As tendências atuais tornarão possível a engenharia reversa do cérebro humano por volta de 2.020. E US$1.000,00 de custo de computação, o que mal cobria o custo de um processador 8088 em 1.982, irá oferecer 1.000 vezes mais capacidade do que o cérebro humano em 2.029. A engenharia reversa do cérebro refere-se a um possível mapeamento de cada região do cérebro. Modelos matemáticos seriam construídos para que se reproduza o comportamento de cada uma destas regiões. O passo natural seguinte seria a construção de máquinas - circuitos eletrônicos - que desempenhassem as mesmas funções ou então a programação de computadores com algoritmos que simulassem estas regiões. Todas juntas poderiam formar um cérebro virtual ou um cérebro eletrônico. É daí que emerge o nome de sua palestra. Segundo o professor-visionário, os sensores são elementos-chave nessa tecnologia. Serão eles os responsáveis pela captação dos diversos impulsos vindos de cada parte do cérebro ou de cada parte do corpo, repassando os impulsos entre as porções virtuais. Kurzweil é um entusiasta de sua principal área de pesquisa, a Inteligência Artificial. Ele citou o desenvolvimento de uma personalidade virtual, uma atendente que auxilia os viajantes a montarem seu roteiro de viagem, reservar as passagens e escolher a poltrona. O sistema, baseado em reconhecimento e sintetização de voz, está em pleno funcionamento na empresa aérea britânica British Airways. Durante a palestra, ele apresentou também Ramona, a atendente virtual que recebe os visitantes em seu site. "Inteligência Artificial trata de fazer com que os computadores façam coisas inteligentes. Em termos de senso comum, os humanos são mais avançados do que os computadores... ainda que o cérebro humano faça apenas cerca de 200 cálculos por segundo. Os equipamentos de computação disponíveis em 2.030 serão capazes de fazer 100 trilhões de conexões e 1026 cálculos por segundo." disse Kurzweil. Atualmente, vários fabricantes e laboratórios de pesquisa já possuem protótipos avançados de computadores de vestir. Sensores magnéticos e de rádio-freqüência embutidos nas roupas são capazes de permitir uma troca de cartões de visitas através de um simples aperto de mão. Extrapolando tais experiências, Kurzweil diz que logo será possível que os interlocutores intercambiem todos os seus cinco sentidos. Extrapolando ainda mais, Kurzweil afirma que, entre 2.030 e 2.040, inteligência não biológica poderá se tornar dominante. O curioso é que sua perspectiva futurística rejeita a visão tradicional dos ciborgs ou robôs humanóides. Ao contrário de dar sentidos humanos a uma máquina, o cientista acredita que os humanos poderão receber injeções de máquina em suas veias. A tendência "é a imersão total de realidade virtual no interior de nosso sistema nervoso, o que envolverá milhões ou mesmo bilhões de nanobots comunicando-se de forma não invasiva através de nosso sistema nervoso." Implantes da cóclea (parte anterior do labirinto humano) já permitem a restauração da audição de vários pacientes. Chips implantados também têm mostrado resultados animadores no controle muscular de pacientes com mal de Parkinson. Mas o professor não deixou de mostrar também o lado negro das suas visões. Uma das maiores ameaças da nanotecnologia, que a maioria dos cientistas reputam apenas como delírio de ficção, é a possibilidade de que máquinas microscópicas possam construir outras iguais a si mesmas, criando um fenômeno de auto-multiplicação. Segundo Kurzweil, no futuro, nanomáquinas auto-replicantes poderão se transformar em uma espécie de câncer. Mas, para não terminar de maneira ameaçadora, ele ressaltou que há, na tecnologia, muito mais coisas para nos libertar do que para nos ameaçar. Para aqueles que gostariam de ser tão inventivos quanto o professor Kurzweil, ele dá a receita. Antes de dormir, deve-se pensar em um problema, sem tentar resolvê-lo. Pela manhã, enquanto a grande maioria das pessoas desperta diretamente do sonho para a vigília, Kurzweil afirma conseguir ficar em um estado intermediário, como que sonhando acordado, o que ele chama de sonho lúcido. Segundo ele, "enquanto você está dormindo, você não reconhece tabus sexuais ou sociais e outras inibições também estão relaxadas. Mas o que falta no estado de sonho total é o lado racional e lógico. Quando está sonhando algo esquisito, você não pensa: 'isto é estranho.'. No estado de sonho lúcido você pensa isto e é isto que torna este um momento de criatividade único.



Ray Kurzweil é autor dos livros A Era das Máquinas Espirituais e A Era das Máquinas Inteligentes.